Esquema na Celesc usava temporais para justificar gastos e desviar dinheiro

05/12/19 às 17h17
Atualizado em 05/12/19 às 17h33

Foto: Paulo Mueller/ NSC TV

 Tempestades e temporais foram utilizados como pretexto para um grupo de empresários e servidores desviar recursos da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) para consertar estragos, principalmente nas regionais de Florianópolis, Joinville, Rio do Sul e Criciúma. Esta informação foi levanta por uma investigação da Polícia Civil de Florianópolis. O esquema contratava empresas para prestar serviços de manutenção, mas na maioria dos casos os serviços não eram necessários e o dinheiro era desviado.

 

Os desvios ocorreram em 2010 e, conforme os investigadores, o prejuízo já comprovado foi de R$ 3,3 milhões, mas é possível que o rombo chegue a R$ 10 milhões.

Na manhã desta quinta-feira (5), ao menos quatro carros de luxo foram apreendidos e segundo a polícia, seis empresários e quatro servidores públicos, que estão aposentados, são investigados e podem responder por peculato, associação criminosa e fraude em licitação. Ninguém foi preso. A ação ocorreu em seis cidades de Santa Catarina e também no Paraná. Entre elas: Florianópolis, São José, Itajaí, Blumenau, Orleans, Pescaria Brava e Curitiba/PR.

A própria Celesc constatou irregularidades em uma sindicância interna e acionou a polícia.

“Emitiam ordens de serviços para arrumar supostamente de avarias em decorrência de eventos climáticos, mas era só pretexto para conseguir liberação de dinheiro e, consequentemente a emissão da nota fiscal. A empresa recebia e o dinheiro voltava para a diretoria. Isso foi feito em todo período de 2010”, informou o delegado Marcus Fraile, da área de combate à corrupção.

A polícia não descarta que possa haver desdobramento da operação, visto que ainda deve analisar os materiais aprendidos nesta quinta-feira.

Por meio de nota, a Celesc informou que está colaborando com as autoridades e que aguarda a continuidade das investigações. O nome da operação "Zero Grau" é uma alusão à grande quantidade de notas fiscais frias emitidas.

 

Fonte: NSC TV