Fundação Hospitalar Municipal de Canelinha passa a se chamar Hospital e Maternidade Maria Sartori Bastiani

08/08/20 às 08h08
Atualizado em 08/08/20 às 08h36

 As próximas gerações poderão dizer com propriedade que são canelinhenses.

Não só porque moram aqui, mas porque nascerão nesta cidade.

Após anos sem realizar partos no município, no dia 15 de fevereiro de 2019, a Fundação Hospitalar Municipal de Canelinha contratou - através da cooperativa - o médico clínico geral e obstetra, Dr. Maico Matos Menegola, para atender as gestantes desde o pré-natal até o parto no município.

Entre janeiro de 2017 a dezembro de 2019 foram realizados 121 partos, sendo 96 deles em 2019. Até início de agosto de 2020, já foram realizados 86 partos. Hoje, a gestante canelinhense ganha seu bebê com tranquilidade no município, sem ter que se deslocar para outras cidades. Por conta disso, nada mais justo que reforçar este compromisso com o nome da saudosa parteira Maria Sartori Bastiani, a dona Mariota.

Neste momento, por conta do coronavírus, não é possível realizar uma cerimônia aberta ao público. Mesmo assim, é importante que essa mudança seja oficialmente entregue à comunidade. Assim, virtualmente através das redes sociais e no youtube da Prefeitura de Canelinha, será apresentado um vídeo neste domingo, 09 de agosto, Dia dos Pais.

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Maria Sartori Bastiani, dona Mariota

 

Filha de Giuseppe Sartori e Olivia Cecatto, nasceu em Nova Trento no dia 02 de fevereiro de 1909. Seu pai faleceu quando tinha apenas cinco anos e seu irmãozinho Francisco tinha apenas quarenta dias de vida. Sua mãe enfrentou muitas dificuldades e precisou deixar Nova Trento, vindo morar em Canelinha, no bairro da Índia.

Acreditando na sorte, Olivia e os filhos, Maria com 14 anos e Francisco com 9 anos, conseguiram emprego na lavoura de cana-de-açúcar.

Maria casou-se aos 19 anos de idade com Marcos Bastiani. O enlace matrimonial aconteceu no dia 01 de dezembro de 1928, na igreja matriz de São João Batista. Depois de casada, Maria continuou trabalhando na lavoura, agora em terras de propriedade do casal. Seu esposo Marcos trabalhava como mecânico de manutenção das máquinas da usina.

A sogra de Maria, Anna Zonner, às vezes realizava trabalhos como parteira. Quando era chamada para atender alguma senhora das proximidades, convidava a nora, a quem a chamava de Mariota, para acompanhá-la nos trabalhos.

Com o passar dos anos, Maria Sartori Bastiani adquiriu habilidades suficientes para realizar trabalhos como parteira. Neste período, Anna Zonner foi acometida por uma grave doença e faleceu.

Naqueles tempos tão difíceis, quando alguém da vizinhança ficava doente, recorria a dona Mariota para medir a temperatura e tentar recuperar a saúde do paciente com remédios caseiros e se esperava, com paciência e fé, que o doente ficasse curado.

Pesquisando a idade de algumas pessoas que nasceram pelas mãos de dona Mariota no início de seu trabalho como parteira, presume-se que este tenha iniciado por volta de 1948. Este ano ficou marcado como o início de uma longa caminhada que se estendeu por cerca de quarenta anos.

Durante este período, ela percorreu os mais toda a região, nos mais diversos meios de transporte, desde o bagageiro de bicicletas, carroças, até automóveis. Em locais de difícil acesso, subia morros caminhando. Mesmo enfrentando todas estas dificuldades, dona Mariota não desistia do seu trabalho. Em qualquer hora do dia ou da noite, inclusive nas madrugadas frias de inverno, ela estava sempre disposta a atender a quem de seus préstimos necessitasse.

Vivenciou perigosas situações na época em que ainda não havia a tão sonhada ponte unindo as duas margens do Rio Tijucas e era necessário atravessar o mesmo em canoa, à noite, ou com enchentes.

Certa noite, dona Mariota foi solicitada para atender uma senhora e para isto teria que atravessar o rio. Ao embarcar na canoa, percebeu que o remador estava embriagado. Ficou temerosa mas nada de grave aconteceu.

Muitas vezes dona Mariota era chamada para realizar um parto e quando chegava à casa da gestante, se deparava com uma família vivendo na extrema pobreza. Nestes casos, não cobrava pelo serviço e comovida diante da situação, enviava uma galinha e leite para saciar a fome da mãe e, especialmente, da criança que acabara de vir ao mundo já enfrentando o drama da fome.

Sempre atendia da melhor maneira possível quem dela necessitasse. Dedicava-se nas horas vagas a sua pequena horta onde cultivava muitas espécies de plantas medicinais que transformava em remédios caseiros.

Durante toda sua trajetória, que durou cerca de quatro décadas, muitas crianças vieram ao mundo pelas suas mãos. O seu último trabalho aconteceu na madrugada do dia 07 de setembro de 1987, quando foi chamada para atender a uma gestante que residia no bairro Nova Descoberta, em Tijucas, que deu à luz a um menino.

Acometida de um derrame que a deixou paralisada por quase dois anos, Maria Sartori Bastiani faleceu no dia 15 de janeiro de 2001, aos 91 anos. Seu esposo Marcos faleceu no dia 03 de outubro de 2006, aos 104 anos.