Jair Bolsonaro é eleito presidente do Brasil

28/10/18 às 20h20
Atualizado em 28/10/18 às 20h34

 O candidato Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República, neste ano. O deputado federal, que está há 30 anos na vida política, venceu pela primeira vez uma disputa a um cargo do Poder Executivo.

O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral às 19h12min, com 92,08% dos votos apurados. Naquele momento, Bolsonaro já estava com 55,63% dos votos válidos. Já o oponente dele, Fernando Haddad (PSL), estava com 44,37% dos votos válidos.

Junto com Bolsonaro, também foi eleito o general Hamilton Mourão (PRTB), que vai assumir o cargo de vice-presidente, a partir do dia 1º de janeiro de 2019.

Bolsonaro entrou na disputa deste ano se apresentando como antítese aos governos petistas, que governaram o Brasil de 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito, até o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

Ainda no início da disputa pelo primeiro turno, o presidente eleito foi vítima de um atentado com uma faca, quando participava de um ato de campanha, em Juiz de Fora, no interior de Minas Gerais. Bolsonaro passou vários dias hospitalizado, por causa dos ferimentos.

Quando ganhou alta, uma semana antes da votação do primeiro turno, reduziu drasticamente a participação em atos públicos. No segundo turno, deixou de participar de todos os debates que foram propostos entre ele e Haddad, o que nunca tinha ocorrido num segundo turno, desde 1989, quando houve a redemocratização, após a Ditadura Militar.

Nesse período, porém, intensificou a campanha em redes sociais, sobretudo com a realização de transmissões ao vivo pelo Facebook e o envio de mensagens pelo WhatsApp.

O que defendeu na campanha
O presidente eleito fez uma campanha com o lema "Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos". Os discursos de Bolsonaro tinham como principal motivo, a defesa de valores conservadores, combate à corrupção, liberação do porte de armas e combate rigoroso ao tráfico de drogas.

Na economia, aplicou discurso ultraliberal, afirmando que pretende reduzir o tamanho da máquina pública. Para conseguir isso, ele afirmou que pretende privatizar boa parte das empresas geridas pelo governo federal. Entretanto, ele se comprometeu a manter a Petrobras sob a guarida do Executivo.

A experiência
No Congresso, Bolsonaro acumulou inúmeras polêmicas. As principais foram em relação aos discursos e entrevistas que concedeu ao longo dos anos. Embora esteja atualmente ligado a movimentos de direita, já exaltou o ex-presidente venezuelano Hugo Chávez.

Ele também usou o mandato para defender o regime ditatorial militar, que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985. Em uma entrevista, nos anos 1990, ele afirmou que um dos erros do governo tinha sido o baixo número de vítimas fatais. Ele também alegou várias vezes ser favorável à tortura.

Também atacou os direitos de homossexuais, fez declarações consideradas racistas por grupos de defesa dos direitos dos negros e disse entender a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

No trabalho Legislativo, conseguiu a aprovação de apenas duas leis, em 27 anos de vida pública na Câmara dos Deputados. Um deles era sobre a isenção de impostos para produtos de informática. O outro tratava da liberação da venda da fosfoetanolamina sintética, uma droga que era atribuída ao tratamento do câncer, cuja eficácia ainda não foi comprovada.

Entretanto, apesar de um mandato pouco expressivo em termos de produtividade, Bolsonaro nunca chegou a ser alvo de qualquer processo por casos de corrupção ou desvios de dinheiro, por exemplo. Inclusive, esse foi um dos pontos ressaltados por ele na campanha, para contrapor as denúncias envolvendo os governos petistas.

Fonte: Diário Catarinense