29/06/26 às 00h
Atualizado em 29/06/26 às 22h24
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Foto: Reprodução
Banquinha de madeira, telhado de zinco, ranças de cebola penduradas, abóboras e abobrinhas espalhadas pelo chão, pinhão fresco, ovos caipiras, couve, beterraba. No meio da estrada, no meio do nada, na Serra Catarinense. Sem balcão, sem caixa, sem vendedor. Só os produtos, uma tabela escrita à mão com os preços, uma calculadora para o cliente somar e o PIX para pagar. E uma plaquinha com a frase que resume tudo: “Confiamos na sua honestidade”.
A cena foi filmada pela criadora de conteúdo Isadora De Matteo, que passava pela região e se deparou com a banca sem ninguém por perto. “Pegue e pague, gente, olhem só. Uma banquinha com cebola, pinhão. Aqui, confiamos na sua honestidade. Vendemos no estilo, você pega o que quer, aqui tá os valores, paga, tem calculadora pra você somar os produtos”, narra a autora no vídeo, enquanto mostra a estrutura de madeira erguida em meio às montanhas.
O proprietário, que não aparece nas imagens, deixa tudo organizado: a sacola para o cliente colocar os produtos, a tabela de preços com cebola, abóbora, couve, feijão vermelho e itens da safra, a calculadora à disposição e o PIX impresso para o pagamento. A confiança é o único caixa registrador. “É só você pegar e pagar, não tem nenhum funcionário aqui. É bem no meio da estrada, no meio do nada. Não tem ninguém aqui, se eu olhar aqui atrás, não tem ninguém”, segue a narração.
A fartura da banca
A banca chamou atenção pela fartura visível e pelo modelo de venda baseado exclusivamente na palavra do cliente. Ranças de cebola roxa e branca penduradas formam o pórtico de entrada, ovos caipiras frescos e pinhão novo dividem espaço com hortaliças colhidas na propriedade. Tudo escrito com letra de mão, em cartazes simples fixados na madeira.
O vídeo foi republicado pelo perfil Floripa Mil Grau, com o título “Mulher se surpreende com pegue e pague em Alfredo Wagner (SC) e vídeo viraliza”, e ganhou tração rapidamente. Nos comentários, moradores de Santa Catarina e de outros estados elogiaram a confiança do produtor catarinense.
“A honestidade do catarinense é linda. Estive duas vezes em SC e voltei impactado com toda educação e forma de agir das pessoas.”
A polêmica nos comentários
Houve também quem questionasse se o modelo funcionaria fora da região. “Em outro lugar do país, isso não daria muito certo”, comentou um usuário. “Se fosse na Bahia, nem o estande ficava”, brincou outro. Já uma terceira reagiu de forma diferente: “Isso tem em todo o Brasil, e os caras acham que só em SC. Experimenta colocar essa banquinha na Lagoa da Conceição”.
A discussão dividiu opiniões e abriu espaço para uma defesa da cultura do interior catarinense. “Não é do catarinense. É de quem é honesto e tem princípios. Em todo mundo tem gente honesta”, respondeu um seguidor. Outro completou: “
O modelo pegue e pague, comum em pequenas propriedades rurais da Serra Catarinense, funciona com base na relação direta entre produtor e consumidor. Em regiões como Alfredo Wagner, Urubici, Bom Retiro e arredores, é frequente encontrar banquinhas semelhantes à beira de estradas vicinais, com mel, queijo colonial, pinhão, hortaliças e cebola. A confiança mútua sustenta o negócio.
A criadora de conteúdo encerra o vídeo destacando o que mais a impressionou. “Que legal, né, confiando na honestidade das pessoas, bem interessante. Não tinha visto ainda desse formato no meio da roça”, afirma. O registro segue rodando nas redes sociais e reabriu a discussão sobre o jeito catarinense de fazer comércio no interior.
Fonte: Jornal Razão
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