Cantor famoso de Porto Belo é preso por estupro

17/03/26 às 00h
Atualizado em 18/03/26 às 22h25
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É difícil encontrar alguém que seja nativo da Costa Esmeralda e não conheça o Uniclãs. A voz marcante que embalou festas, bares e palcos da região por anos ficou gravada na memória de quem teve o privilégio de ouvir Nando Kruscinski cantar. Mas o capítulo mais sombrio da vida do músico acaba de ganhar um desfecho na Justiça.

Fernando Kruscinscki, o Nando do Uniclãs, foi preso nesta terça-feira (17), no Litoral Norte de Santa Catarina. A prisão se deu em cumprimento à sentença condenatória proferida pela 2ª Vara da Comarca de Porto Belo, que o condenou a 7 anos de reclusão em regime semiaberto pelo crime de estupro contra a ex-esposa, com quem conviveu por cerca de 20 anos e teve três filhos.

A vítima, que já é falecida, chegou a se reconciliar com Fernando após o episódio. Mesmo assim, o processo criminal seguiu seu curso na Justiça.
O que aconteceu na época

O crime aconteceu na madrugada do dia 5 de janeiro de 2020. Na época, Fernando e a ex-esposa já estavam separados desde 2018, mas ainda mantinham contato. No dia anterior, os dois se desentenderam durante um show que acompanhavam juntos.

Para resolver a situação, combinaram uma conversa em um motel, local que costumavam frequentar a sós em outras ocasiões apenas para conversar, algo que, segundo a vítima, nunca havia resultado em problema.

A mulher relatou que, ao chegar no local, deixou claro que não queria ter relações sexuais. Mesmo assim, Fernando supostamente a agrediu. Conforme o processo, ele a jogou sobre a cama pelos cabelos, a sufocou diversas vezes, retirou suas roupas à força e praticou atos libidinosos contra a vontade dela.

A vítima, à época, alegou que ficou mantida no quarto desde a meia-noite até por volta das 10h30 da manhã, sem conseguir usar o telefone ou pedir ajuda. Em nenhum momento Fernando a deixou sair. Em juízo, ela relatou que ficou cerca de 10 dias sem conseguir falar por conta das lesões na traqueia e que ele a enforcava repetidamente, só parando quando ela estava prestes a desmaiar.
Exame de corpo de delito confirmou as agressões

Três dias após o crime, em 8 de janeiro de 2020, a Polícia Científica realizou exame de corpo de delito que constatou equimoses arroxeadas no ombro direito, nos braços, punhos, coxas e joelhos da vítima, além de escoriações na parte posterior do pescoço e ferimentos na mucosa dos lábios. O laudo apontou que a violência utilizada foi de natureza mecânica, com instrumento de ação contundente.

Uma familiar da vítima foi quem a levou para realizar o exame, após ver os hematomas pelo corpo quando ela chegou em casa naquele dia.
Reconciliação e arrependimento

Apesar da gravidade do ocorrido, a vítima e Fernando voltaram a se relacionar após o episódio. Em depoimento à Justiça, ela própria relatou que, tempos depois dos fatos, ele ia até sua casa, se embriagava na frente do portão e chorava. Em uma dessas ocasiões, ela o confrontou sobre o que havia acontecido naquela noite. Fernando não chegou a admitir diretamente, mas, segundo a vítima, ele sabia o que tinha feito. Ela acreditava que ele sentia arrependimento.

A reconciliação, no entanto, não impediu o avanço do processo criminal. A vítima já é falecida.
Condenação à revelia

A denúncia do Ministério Público foi recebida pela Justiça em agosto de 2021. Durante o processo, Fernando não foi localizado para participar da audiência de instrução e julgamento, tendo sido decretada sua revelia. Foram ouvidas a vítima e uma testemunha, funcionário do motel, que confirmou trabalhar no local, mas disse não se recordar de brigas.

A Justiça considerou o relato da ofendida firme e dotado de riqueza de detalhes, corroborado pelo laudo pericial. A defesa sustentou insuficiência de provas, mas o argumento foi rejeitado pela juíza Nicolle Feller.

A pena-base foi fixada no mínimo legal de 6 anos de reclusão. Com a agravante de violência doméstica, a pena foi elevada para 7 anos de reclusão em regime semiaberto. A Justiça também fixou indenização de R$ 20 mil por danos morais em favor da vítima.
O pior dos ciclos

A prisão desta terça-feira marca mais um capítulo dramático na trajetória de Nando Kruscinski. Em 2023, o músico já havia sido esfaqueado em Bombinhas, supostamente por duas pessoas, e acabou preso na mesma ocasião por conta de uma dívida de pensão alimentícia. Na época, familiares e amigos chegaram a organizar uma vaquinha para pagar a dívida e tentar interná-lo em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos.

Agora, o cenário é outro. A condenação por estupro, com pena de 7 anos em regime semiaberto, representa um desdobramento muito mais grave na vida de quem já foi considerado uma das maiores vozes da Costa Esmeralda.

O caso segue agora com a expedição da guia de execução penal e formação do Processo de Execução Criminal em autos apartados.
 

Fonte: Jornal Razão

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