“Eu cortei a barriga, fui cortando devagarzinho ali, queria o bebê. Não olhei se ela se debatia”, diz Rozalba Grimme

24/11/21 às 14h14
Atualizado em 23/01/22 às 20h39
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“Bati com o tijolo na cabeça dela, na segunda tijolada ela perdeu a consciência. Eu cortei a barriga, fui cortando devagarzinho ali, queria o bebê. Não olhei se ela se debatia”, disse Rozalba tranquilamente em depoimento na época do crime. Nesta quarta-feira (24), um ano e três meses após o crime brutal, registrado em Canelinha, a acusada de matar Flávia Godinho Mafra, é julgada em Tijucas. A ré confessa está na Câmara de Vereadores onde passará por um júri popular.

No local, familiares acompanham os depoimentos. No julgamento, apenas o viúvo e os pais de Flávia podem ficar. Todos usam camisetas com fotos de Flavia e os dizeres “Justiça, somos todos Flavia”. Daniela Mafra é um dos familiares da vítima que acompanha o julgamento. Ela é irmã de Valdeli Mafra, viúvo de Flavia e pai da pequena Cecilia.

“Para a gente não se passou um ano, parece que foi ontem. É muito difícil a gente estar aqui hoje. A gente não queria que nada disso tivesse acontecido, nossa família sempre foi muito coração, a gente nunca teve maldade com ninguém e estar passando por essa situação hoje é muito difícil, nosso coração fica angustiado”, afirma Daniela em entrevista ao repórter Juliano Fritzen do Jornal Razão. Segundo ela, Cecilia está bem e está sendo criada pelo pai, com apoio da família. A tia da criança afirma que, independente de quanto tempo leve, o que a família espera é que a assassina pague pelo crime. “A gente clama por justiça pela minha cunhada”.

Além das camisetas, um cartaz com fotografias da grávida também foi levado, onde estava escrito “Os dias passam lentos, as horas machucam como espinhos, mas temos forças e confiamos na chegada da justiça”. O assassinato de Flavia chocou a população do Vale do Rio Tijucas e o caso ganhou repercussão na imprensa nacional e internacional, por causa da brutalidade e frieza da assassina confessa.

Presa preventivamente, Rozalba foi pronunciada pelos crimes de feminicídio qualificado por motivo torpe, com emprego de meio cruel, mediante dissimulação e para encobrir outro crime. Também pelo crime de tentativa de homicídio qualificada pela impossibilidade de defesa (em relação ao bebê). Ela responderá, ainda, pelos crimes de ocultação de cadáver, parto suposto, subtração de incapaz e fraude processual.


 

Fonte: Jornal Razão