Falta de acessibilidade em aplicativos digitais obriga pessoas com deficiência a depender de terceiros no Brasil

18/03/26 às 00h
Atualizado em 18/03/26 às 19h40
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Imasgem ilustrativa

Mesmo com o avanço da tecnologia e a digitalização de serviços financeiros e comerciais, milhões de brasileiros com deficiência ainda enfrentam barreiras significativas para acessar aplicativos de bancos, sites de compras e outras plataformas digitais.

De acordo com dados do IBGE, o Brasil possui cerca de 18,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o equivalente a aproximadamente 8,9% da população. Apesar desse número expressivo, a inclusão digital desse público ainda está longe de ser realidade plena. ()

Especialistas apontam que aplicativos bancários e plataformas de e-commerce frequentemente apresentam falhas básicas de acessibilidade, como baixo contraste de cores, ausência de compatibilidade com leitores de tela e interfaces confusas. Essas limitações dificultam — ou até impedem — o uso autônomo por pessoas com deficiência visual, auditiva ou cognitiva. ()

Como consequência, muitos usuários acabam dependendo da ajuda de familiares, amigos ou até desconhecidos para realizar tarefas simples, como pagar contas, fazer transferências ou concluir compras online. Essa dependência compromete não apenas a autonomia, mas também a privacidade e a segurança dessas pessoas.

Pesquisas sobre o uso da internet no país indicam que, embora 84% da população esteja conectada, a experiência digital não é igual para todos. Para pessoas com deficiência, atividades cotidianas podem se tornar mais complexas devido à falta de adaptações adequadas nas plataformas digitais. ()

A legislação brasileira, por meio da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), determina que sites e aplicativos devem ser acessíveis a todos os usuários. No entanto, a aplicação prática dessa exigência ainda enfrenta desafios, especialmente no setor privado.

Nos últimos anos, algumas iniciativas têm buscado reverter esse cenário. Bancos e órgãos públicos começaram a implementar melhorias, como personalização de fontes, comandos por voz e integração com tecnologias assistivas. Ainda assim, especialistas afirmam que essas mudanças são pontuais e insuficientes diante da dimensão do problema.

Para organizações que defendem os direitos das pessoas com deficiência, a acessibilidade digital não deve ser tratada como diferencial, mas como obrigação. Sem isso, a exclusão no ambiente virtual continua refletindo — e ampliando — desigualdades já existentes na sociedade.

Enquanto o mundo se torna cada vez mais digital, garantir acesso universal às tecnologias deixa de ser apenas uma questão técnica e passa a ser um compromisso com a inclusão e a cidadania.

 

Texto: Rogério de Souza / Especialista em Educação Inclusiva

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