10/01/26 às 12h12
Atualizado em 10/01/26 às 23h09
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O susto veio no boleto. Onde antes apareciam pouco mais de R$ 500, agora o valor ultrapassa R$ 12.000. Foi assim que um morador de Governador Celso Ramos percebeu que algo havia mudado de forma radical. O terreno é o mesmo, a rua continua sem asfalto, não há rede de esgoto, a iluminação pública é precária e, quando chove, a lama toma conta. Mesmo assim, o IPTU explodiu.
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Esse imóvel específico, cujo IPTU saltou de cerca de R$ 500 para mais de R$ 12.000, fica no bairro Palmas. O caso virou símbolo da revolta que cresce no município. Em paralelo, moradores de outras regiões, especialmente do loteamento Nova Governador, relatam aumentos expressivos e levantam questionamentos semelhantes. Nas redes sociais, em grupos de moradores e em conversas com a reportagem, os relatos se repetem com valores diferentes, mas com o mesmo sentimento: indignação.
Rua onde fica o terreno de 240 m2 com IPTU de R$ 12 mil
No loteamento Nova Governador, moradores afirmam que terrenos que pagavam entre R$ 300 e R$ 700 passaram, de um ano para o outro, a receber boletos entre R$ 2.500, R$ 4.000, R$ 7.000 e, em alguns casos, próximos de R$ 10.000. Há quem fale em aumentos de 1.000%, 1.500% ou mais. Segundo eles, nada mudou no bairro que justificasse essa majoração.
Reprodução / Redes sociais
Os documentos apresentados pelos moradores apontam para uma mudança significativa nos valores venais utilizados como base de cálculo. Prints do sistema da prefeitura mostram valores considerados elevados para imóveis localizados em áreas sem infraestrutura completa. No caso do bairro Palmas, um lote de cerca de 240 metros quadrados, com aproximadamente 68 metros de área construída, aparece com valor venal superior a R$ 1,4 milhão, o que resultou no IPTU acima de R$ 12 mil.
Em 2025, morador que agora é cobrado
em R$ 2.500,00 pagou apenas R$ 567,00
Já no loteamento Nova Governador, a realidade descrita pelos moradores é bem distante desses números. Falta pavimentação, não há drenagem eficiente, ruas alagam com frequência, não existe posto de saúde, escola ou linha regular de ônibus. Em alguns trechos, segundo relatos, a iluminação pública é tão falha que moradores usam lanternas à noite. A qualidade da água também é alvo de críticas constantes.
“Estamos pagando como se fosse um bairro totalmente estruturado, mas não é”, resume um morador do loteamento Nova Governador, que prefere não se identificar.
Rua no bairro ‘campeão’ de reclamações do IPTU
Outro ponto recorrente entre os moradores dessa região é a suspeita de mudança no planejamento urbano. Eles afirmam que o loteamento foi vendido anos atrás como residencial e comercial. Agora, segundo relatos, há sinais de interesse em transformar a área em zona industrial ou logística. A leitura feita pela comunidade é direta: o aumento do IPTU tornaria inviável manter os terrenos, pressionando proprietários a vender.
Essa percepção é reforçada por comentários que citam grandes obras e empreendimentos nas proximidades. Para muitos moradores, o imposto estaria sendo usado como um instrumento silencioso de expulsão.
Além da revolta, cresce também o questionamento legal. A cobrança agora é por transparência. Moradores querem saber quando essas majorações foram aprovadas, qual lei autorizou os aumentos, quem votou e quais critérios técnicos foram utilizados.
Até o momento, segundo os moradores, não houve explicação clara da prefeitura sobre os reajustes, tanto no bairro Palmas quanto no loteamento Nova Governador. A ausência de posicionamento oficial só aumenta a sensação de injustiça.
Enquanto isso, a mobilização avança. Moradores relatam reuniões, troca de documentos, consultas jurídicas e a possibilidade de ações judiciais coletivas. Protestos também não são descartados.
O IPTU que saltou de R$ 500 para mais de R$ 12.000, no bairro Palmas, foi o estopim. Já no loteamento Nova Governador, os aumentos em série ampliaram a indignação. Em comum, segundo quem vive nessas regiões, estão a cobrança elevada, a infraestrutura insuficiente e a falta de diálogo.
FONTE: JORNAL RAZÃO
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